Paula Freitas, 43 anos
Paula Freitas é docente da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e é a investigadora principal de um trabalho científico na área do síndrome de redistribuição da gordura corporal (ou lipodistrofia) em doentes infectados pelo VIH, recentemente galardoado com o Lilly Annual Research Award 2010.
A investigadora encontra-se a desenvolver a sua tese de doutoramento intitulada “Estudo do síndrome da lipodistrofia e das repercussões endócrino-metabólicas e cardiovasculares na infecção por vírus da imunodeficiência humana”, da qual “saiu” o trabalho premiado pela farmacêutica Eli Lilly. Além deste reconhecimento internacional, só a proposta de trabalho da tese já ganhou três bolsas de investigação.
Do trabalho de doutoramento realizado até então resultaram também novas linhas de corte (para homens e mulheres) usando um método objectivo de diagnóstico da lipodistrofia – o “Fat Mass Ratio” (razão da massa gorda do tronco/massa gorda dos membros inferiores), “mais objectivo e preciso, que se associa com a gordura visceral, que é a que tem mais impacto na síndrome metabólica”, como afirma a endocrinologista.
A professora da FMUP revela que o interesse pelo estudo do VIH e patologias associadas, nomeadamente a lipodistrofia e a diabetes, despertou no início da sua carreira profissional, aquando de uma pesquisa sobre lipodistrofias congénitas (que são muito raras) na Internet. Desde então que faz investigação na área. A comunidade científica tem dado provas de a apreciar, como demonstram os dois prémios internacionais e os cinco prémios nacionais na área de lipodistrofia associada ao VIH que constam do seu curriculum vitae.
- De que mais gosta na Universidade do Porto?
Do seu dinamismo e prestígio. E gosto do contacto com os jovens alunos.
- De que menos gosta na Universidade do Porto?
A falta de gabinetes. Não tenho gabinete nem qualquer outro espaço físico para receber os alunos.
- Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?
Melhorar as instalações. Maior apoio à investigação, mais programas de colaboração, melhor comunicação com outras Universidades e Instituições de modo a estimular projectos de investigação multicêntricos.
- Como prefere passar os tempos livres?
Quando tenho tempo livre…Gosto de jantar com os amigos, ler, viajar. E gosto de fazer viagens de moto.
- Um livro preferido?
Não sendo o meu livro preferido, foi o que mais me marcou – “O estrangeiro” de Albert Camus. A frieza do personagem principal causou-me “um grande mal-estar”, o que me levou a uma reflexão existencialista da vida.
- Um disco preferido?
As minhas músicas preferidas são: “On the earth as it is in heaven” e “Once upon a time in America” de Ennio Morricone e “Love of my life” e “I was born to love you” de Fred Mercury.
- Um prato preferido?
Massas, mas a minha preferida é Rigatonni com gambas e coentros.
- Um filme preferido?
Há dois filmes que me impressionaram:
1) “La vita è bella” de Roberto Benigni – o empenho e a inteligência do personagem principal para esconder do filho o horror e os perigos constantes do campo de concentração, fazendo-o acreditar que estavam a participar num jogo.
2) “The Brave”, dirigido e protagonizado por Johnny Depp e com o actor Marlon Brando, que conta a história de um índio Cherokee que sacrifica a sua vida para tirar a família da miséria.
- Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?
Realizada: Austrália – por ar, terra (de carro) e mar. Desde o Parque Nacional Uluru-Kata Tjuta, Alice Springs, algumas ilhas do mar de coral da grande barreira de coral, a ilha Freaser. A viagem de carro de Cairns até Brisbane e depois Sidney.
Por realizar: África (Quénia, Moçambique…).
- Qual o principal objectivo a alcançar na sua área de trabalho?
Principal objectivo, imediato, é terminar o doutoramento. A longo prazo, continuar a trabalhar na área da infecção VIH e na interface entre esta e as alterações endócrinas e metabólicas.
- Uma experiência de vida marcante?
Não uma, mas três experiências marcantes.
Aos 22 anos faleceu o meu pai.
Dois anos mais tarde (no último ano da faculdade), estive internada durante mais de um mês e durante esse período apercebi-me da “condição de ser doente”, o que me foi útil para a percepção da relação médico-doente.
Nesse mesmo ano faleceu a minha mãe. Nessa altura, apercebi-me que o meu mundo seria obrigatoriamente diferente e tornei-me mais rapidamente adulta.










































































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