Rui Costa (1972-2012)
O corpo do poeta e advogado Rui Costa, que tinha sido dado como desaparecido no princípio do mês, foi encontrado terça-feira na foz do rio Douro, na Afurada, Vila Nova de Gaia.
Rui Filipe Morais Aguiar da Costa, 39 anos, tinha uma leitura de poesia marcada para Espanha, nos princípios deste mês, mas não compareceu nem deu qualquer notícia à família.
Fontes policiais assinalaram à agência Lusa que o corpo encontrado na Afurada é o de um homem que caiu ou se terá atirado da ponte da Arrábida no dia 4.
O jovem poeta venceu o prémio de poesia Daniel Faria, com o seu livro “A Nuvem Prateada das Pessoas Graves”, editado em 2005 pela Quasi Edições.
Dois anos depois recebeu o prémio Albufeira de Literatura pelo romance “A Resistência dos Materiais”.
Também no campo da Literatura, “cometeu a proeza” de apresentar uma lista alternativa à direcção do Pen Clube Português em Janeiro de 2009, ao lado dos poetas Rui Lage e Rui Cóias”, contou à Lusa o autor do blog “Da Literatura”, Eduardo Pitta.
Numa entrevista publicada no sítio de internet http://www.pnetliteratura.pt/, Rui Costa defendeu o poder de resistência do livro face ao crescente primado da tecnologia e da mensagem instantânea.
“O livro sólido, com peso de papel manchado de tinta, continuará a ter sentido enquanto usarmos as mãos que ainda temos”, declarou.
Ao seu interesse pela Literatura aliava o gosto pelo Direito, licenciando-se nesta área pela Universidade de Coimbra (1996) e exercendo advocacia durante seis anos, em Lisboa e em Londres.
Destacou-se igualmente na área da Saúde, obtendo um mestrado em Saúde Pública pela Institute of Health Sciences and Public Health-University of Leeds (2004)e dando aulas na Escola Superior de Saúde do Vale do Ave.
Em 2010, estava a trabalhar numa tese de doutoramento em Ciências da Saúde sobre o discurso e experiências de transformação do sector da saúde em Portugal e no Brasil.
19 de janeiro de 2012
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Rui Costa nasceu no Porto em 1972. Estudou Direito em Coimbra e foi advogado durante seis anos, em Lisboa e Londres. Concluiu um mestrado em Saúde Pública em Leeds, Inglaterra. Actualmente é professor na Escola Superior de Saúde do Vale do Ave.
Em 2005 publicou A Nuvem Prateada das Pessoas Graves (Quasi Edições), livro vencedor do Prémio de Poesia Daniel Faria.
Em 2007 recebeu, pelo romance A Resistência dos Materiais, o Prémio Albufeira de Literatura.
Co-organizou a Primeira Antologia de Micro-ficção Portuguesa (Exodus, 2008).
Participou em diversas publicações, nomeadamente: Poema Poema -Antologia de Poesia Portuguesa Actual (U.Stabile, Huelva, 2006); A Sophia – Homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen (Caminho, 2007); Um Poema para Fiama (Labirinto, 2007); Sulscrito – Revista de Literatura; Revista Big Ode.
Publicou recentemente O Pequeno-almoço de Carla Bruni, 2009.
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«Gostava que os poetas fossem menos vaidosos e menos preconceituosos»
Aos 33 anos, este portuense publica o seu primeiro livro de poemas. Antes, estudou Direito em Coimbra, foi advogado em Lisboa e em Londres e terminou recentemente um mestrado em Saúde Pública, em Leeds, na Inglaterra. Diz que gostava de trabalhar em África, mas para já o seu futuro enquanto escritor passa por Portugal. Rui Costa, vencedor do Prémio Daniel Faria, falou ao MUITA LETRA sobre A Nuvem Prateada das Pessoas Graves, seu livro de estreia, da poesia e do panorama poético nacional.
«Perfeição? Não, obrigado»
A Nuvem Prateada das Pessoas Graves vai ser lançado em Maio. Apresente-nos o livro.
É um livro feito entre emoção e pensamento. Esse estado de energia que podemos designar por emoção é o impulso inicial do poema. Mas o poema não se faz com a “grande” emoção ou o sentimento “nobre”, faz-se com trabalho de linguagem. Isto implica um distanciamento em relação ao vivido, e aqui intervém a inteligência: a busca das palavras é uma re-(a)presentação do que motivou o que se tenta escrever. E quando o poema está acabado, e se for um bom poema, estará para além do ponto de partida e para além do próprio poeta.
Foi um livro lento, que espero possa ser lido devagar e muitas vezes. Gostava que dois versos do livro ficassem na memória do leitor.
Este é um livro conceptual ou cada poema conta a sua história, vale por si mesmo?
O livro é conceptual na medida em que representa (imperfeitamente) aquilo que eu tento fazer com a poesia (e com a vida). O poema “Faca de incêndio”, constituído por onze fragmentos, talvez seja um bom exemplo da integração que eu procuro fazer da tradição lírica (tradição mais ou menos no sentido que Eliot lhe dá, como o que já foi feito e nós vamos transformar) com uma escrita mais porosa e aberta que surge num contexto de pós-modernidade. Refiro-me à pós-modernidade sobretudo enquanto crítica construtiva da modernidade, mas não há uma distinção clara. Aliás, o próprio modernismo (estou a usar indistintamente “modernismo” e “modernidade”, embora não sejam coincidentes) tem pelo menos duas vertentes: uma, em que o eu aparece sempre como outro, em contínua vertigem (Rimbaud); outra, herdeira da separação de mundos platónica e do racionalismo cartesiano, com a sua crença na possibilidade de explicar e sistematizar o universo e de atingir o progresso pelo uso iluminado da razão. Esta segunda vertente origina uma visão dualista do mundo (razão/emoção, corpo/espírito, humano/animal, homem/mulher, etc.) que privilegia sempre um dos pólos em detrimento do outro e representa, como se perceberá, a exclusão de uma grande parte do que existe do campo da arte (incluindo a literatura) e do campo da vida. Exemplificando, os arautos desta segunda vertente modernista são os que, lamentavelmente, ainda hoje nos falam de “afinação da voz poética”, de “identidade do sujeito” ou de “coerência”, como se o bom poeta fosse a Personalidade Suprema que se eleva da escuridão para revelar a luz (e esta luz fosse sempre brilhante e todos os dias igualmente bem-disposta- ou melancólica). Para terminar: coerência, mas só a que resulta da qualidade e exigência; afinação, mas sem excluir a desafinação (e ritmo sem arritmia não é ritmo, ao menos como eu o entendo); perfeição? não, obrigado. Não somos um céu azul.
«O prémio não substitui a apreciação do leitor»
Vencer o Prémio Daniel Faria abriu-lhe as portas de uma editora. Para além do prestígio, o galardão tem para si um valor simbólico, afectivo? É admirador da obra de Daniel Faria?
O Daniel Faria era um poeta com muito, muito talento. O facto de o meu pensamento ser diferente do dele (por exemplo, não me considero uma pessoa religiosa) não me impede, felizmente, de apreciar a enorme qualidade da sua obra poética.
Depois de se saber que o Rui era o vencedor do prémio, abriram-se-lhe outras portas?
Espero que todas as portas vão dar a leitores do livro. Esse seria o verdadeiro prémio.
A poesia é um dos géneros literários mais prolíferos em Portugal. Todos os anos há centenas de novos autores a serem lançadas no mercado. Como espera que o seu livro vingue? O galardão pode fazer a diferença na visibilidade do seu livro?
O prémio, embora dê maior visibilidade, não substitui a apreciação individual de cada leitor.
O que está a fazer a sua editora no sentido de promover o seu livro?
A reputação da editora é um dos elementos na origem da instituição deste prémio de poesia e da atenção que a atribuição do prémio recebeu por parte de alguns jornais e blogs. Se a Quasi Edições continuar a apostar na qualidade daquilo que publica, já estará a fazer muito pelo meu livro. Acredito que a distribuição do livro vá ser boa e que ele possa chegar às pessoas.
«Gostava que os poetas fossem menos vaidosos e menos preconceituosos»
Tem uma definição de poesia?
Nem as sardinhas se definem. Sobretudo, não pertenço a nenhuma “escola”. Seja mais metafórica ou mais “da experiência”, o que deve importar é a qualidade (que também não se define). Mas digo ainda: gostava que houvesse menos vaidade entre os poetas. Mais capacidade de gostar das coisas que os outros fazem, ainda que “diferentes”. Os preconceitos tendem a vir de pessoas incapazes de vibrar fora do bafo da sua própria respiração.
Quais os seus projectos para o futuro? Tem material na gaveta para outro livro de poemas? Pensa aventurar-se noutros géneros literários?
Gostava de poder dedicar mais tempo à escrita. À poesia, e também à prosa.
De Portugal, diz-se que é um país de poetas. Parece que é verdade, a julgar pela variedade e quantidade de publicações. Pensa que esse é um fenómeno benéfico à poesia e à sua qualidade ou, pelo contrário, faz com que os trabalhos de qualidade se percam na “maré” dos trabalhos maus?
A escassez não é garantia de qualidade assim como a abundância não é sinónimo de falta dela. O mais benéfico para a poesia seria que se perdessem certos preconceitos que ainda a ligam a um formalismo e temática rígidos e afastados da condição de liberdade em movimento que ela pode ter (se nós fizermos por isso).
Quem são os seus autores de referência?
Tento ler um pouco de tudo. Nas últimas semanas li bastante à volta de pintura (incluindo um excelente livro de John McEwen sobra a Paula Rego, publicado pela Phaidon).
Por Andreia C. Faria abril 14, 2005 10:33 AM
in http://www.icicom.up.pt/blog/muitaletra/
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Es cierto,como comenta Miguel Carvalho”As àguas nao levaram o poeta,nem o misterio.Nem as palavras”.
Rui se nos queda en el corazón, en las cosas y gestos cotidianos, con la nostalgia de su ausencia personal, de todo lo que aún quedaba por hacer,de lo que no dijimos…
Un beso donde estés amigo,poeta,hermoso ser humano.
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