Meio cientista, meio filósofo, pintor do Cosmos
13 Setembro 2010
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Não se reconhece a si próprio como artista. Já disse não saber o que é a Arte. No entanto, os termos “criador” e “investigador das leis do Mundo e seu entorno” parecem assentar-lhe bem. Para Fernando Lanhas, o saber não tem fronteiras, embora tenha sido na expressão plástica (sobretudo pintura, escultura) que mais se notabilizou. A sua obra, aliás, é considerada das mais singulares do século XX em Portugal, percursora do designado abstraccionismo geométrico. “A sua pintura dita abstracta, reduzida a formas mínimas e a poucas cores constantes, transporta um mesmo deslumbramento e uma idêntica meditação sobre as escalas do tempo e do espaço que F. L. investiga no campo científico”, afirma o crítico Alexandre Pomar, no Expresso-Cartaz de 21/4/2001.

A pesquisa de Fernando Lanhas percorreu ainda áreas como a arquitectura - concluiu a sua formação académica em Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes do Porto em 1947 -, a arqueologia e museologia, a astronomia e a geofísica, para além de ter sido coleccionador. Colocam-no na “terceira geração” modernista, sendo um dos principais dinamizadores do grupo “Os Independentes”, com exposições iniciais no Porto (1943-1950), de que faziam parte Júlio Pomar, Nadir Afonso, Júlio Resende entre outros. Ao contrário da tendência frequente à entrada da segunda metade do século XX português, “em Lanhas, não são as convulsões ou os movimentos sociais, antes a natureza, os movimentos geológicos, a ordem insondável do cosmos que lhe orientam a investigação plástica”, escreve Manuel Pereira da Silva no seu blogue. Este artista plástico explica ainda que ”a utopia da forma geométrica como forma ecuménica corresponderá, em Lanhas, a um programa rigoroso, traduzido na redução da pintura a uma equação de elementos visuais simples, na ascese da cor, no conceito serial do trabalho plástico”.
Sugestiva, a retrospectiva promovida pelo Museu de Serralves, em 2001, apresentava os trabalhos plásticos de Lanhas, próximos de trilobites e meteoritos descobertos/estudados por si, e também articulados com sonhos descritos e sistematizados pelo próprio autor.

Fernando Resende da Silva Magalhães Lanhas nasceu na freguesia da Vitória, na cidade do Porto, em 16 de Setembro de 1923. As suas obras fizeram parte de várias representações oficiais em exposições internacionais como as Bienais de São Paulo em 1953 e em 1958, ou a Bienal de Veneza em 1960. Dirigiu o Museu Etnográfico e Histórico do Porto, de 1973 até 1993. Recebeu o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, em 1990. Em 1986 é homenageado na V Bienal Internacional de Arte de Vila Nova de Cerveira e, em 1993, pela Associação dos Arquitectos Portugueses, Região Norte. Em 1997, é distinguido com o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, no Cinquentenário da Fundação do Museu Municipal Amadeo de Sousa-Cardoso, Amarante, e em 2002, com o prémio CELPA-Vieira da Silva Artes Plásticas Consagração. A 29 de Novembro de 2005 recebeu o doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Porto.
JC/REIT
(Imagens de:
http://sementedefuturo.edvdigital.pt/tbn_bel.html (foto de Fernando Lanhas)
http://abrancoalmeida.com/artes/exposicoes/de-amadeo-a-paula-rego-50-anos-de-arte-portuguesa-1910-1960/ – O2-44 1943-1944 óleo sobre cartão prensado









































































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